
Sabe aqueles dias que você não quer ninguem por perto? que só o fato de saber que esta sendo observado te da vontade de sumir dali? eu estava assim naquele dia, pra mim parecia um dia qualquer, daqueles bem chatos, tipo uma segunda feira, só queria sair de casa ficar longe dos problemas, mas notei que eles sempre vão aonde quer que eu vá, mas deixei isso pra lá, me sentei no banco da praça esperando que ninguem me encomodasse, afinal qual estranho perguntaria o que eu tinha naquele momento? eu estava com uma regata branca, e uma calça , sentado no banco, olhando para o céu quando uma menina muito linda, parecia me observar a muito tempo, não sabia ao certo quanto tempo ela estava ali, pois não estava prestando muito atenção, continuei fazer o que estava fazendo e achei que ela logo iria embora. Se passaram meia hora e ela ainda estava ali me observando, já não estava nada confortável com a presença dela, apesar de ser linda, eu só queria ficar sozinho fumando meu cigarro e pensando na vida. Até que ela se dirigiu a mim e perguntou:
— an… oi? o que faz aí sozinho, parece triste, aconteceu alguma coisa?
Continuei sem responde-la e ela insistiu…
— me responda, sua mãe não te deu educação não?
Ela já estava me irritando, continuei em silencio.
— pois bem, já que você não me responde, vou me sentar com você e ficar te observando, até você resolver falar comigo.
porra, o que ela queria? ela tava tentando fazer o que? me deixar mais irritado? continuei mais uma meia hora sem dizer nada até que resolvi falar com ela.
— o que você quer comigo? e por que tá aqui?
— bom eu vi que você não parecia bem, estava sozinho, então resolvi vim até aqui conversar com você
— hm… legal.
— enfim né, prazer, meu nome é Isabela.
— hm… prazer.
— não vai me falar o seu nome?
porra, até isso ela quer saber?
— ér, Matheus…
— prazer Matheus, você parece ser legal.
— é? só pareço.
— você parece ser frio, mas eu tenho certeza que você tem sentimentos aí dentro dessa casca.
ela tava me provocando, querendo me deixar irritado ou o quê?
— ahn?
— você pode me dizer o que aconteceu?
— não, só me deixa sozinho, por favor, eu vim pra cá esperando que ninguém me encomodasse e aí você aparece.
Ela me olhou com um olhar triste, porém as palavras sairam, eu não estava bem, e não tava nem um pouco afim de conversar.
— bem, eu tenho certeza que posso ajudar.
Ela sorriu pra mim, e aquele sorriso era tão lindo, que fez eu dar um sorriso de canto pra ela.
— você tem um sorriso lindo sabia?
— ahn, obrigado, eu acho.
Eu não queria conversar com ninguém, mas ela era persistente, ela ficou falando da vida dela, ( o que não me interessava saber) mas até que o papo conseguiu me distrair legal, eu por incrivel que pareça tinha curtido o jeito dela.
— Bom, que tal irmos para casa?
— pode ir, flw.
— não, quando eu digo ” irmos” eu quero dizer eu e você, nós n-ó-s ta entendendo? você já não me parece bem, não vou te deixar aqui sozinho, vai saber o que pode acontecer, pode parecer pouco tempo umas duas horas que a gente se conheceu, mas eu me preocupo com você.
— hm… e se eu for um estuprador?sl
ela riu alto e falou.
— não me importa, eu quero te levar para casa, vamos levanta dai, solte esse cigarro e vamos.
eu fui, aquela menina ja estava me deixando maluco, mas eu estava gostando.
— bom, aqui é a minha casa.
— ok então, beijos até mais.
Ela me trouxe até em casa e logo foi embora, não sei por que mas esperava ve-la novamente, algo me dizia que isso seria bom, eu não queria deixar de ve-la, sei lá, ela tinha me feito bem naquelas poucas horas que nós conversamos, e eu precisava ve-la novamente, mas eu não peguei o seu número, a única coisa que eu sei que o nome dela é Isabella, e algumas coisas da vida dela, sei que ela trabalha em uma pizzaria, bom já é um passo, daqui uma semana vou ve-la, pedir desculpas por tudo que falei, e ignorei ela, e que gostaria de a conhecer mais.
se passaram uma semana, e eu fui no tal local onde ela trabalhava, e não a encontrei[…] então perguntei pra uma menina baixinha que também trabalhava lá.
— er… oi? você sabe onde esta a Isabella? ela trabalha aqui não é?
a menina me olhou com um olhar triste, e eu perguntei o que foi e ela ficou alguns minutos em silêncio… e falou…
— você é o Matheus? o cara que ela conheceu na praça certo dia?
— Sim, sou eu, por quê?
— bom, ela te pediu pra eu deixar um bilhete pra você, e bom, eu não sei como dizer o que aconteceu, leia o bilhete.
Ela parecia nervosa e saiu antes que desse tempo de perguntar alguma coisa… abri o bilhete e ele dizia…
” Bom, sei que você viria me ver depois de alguns dias, sei que você foi grosso comigo, mas eu gostei de você, queria dizer que não era a primeira vez que eu tinha te visto, eu andava observando você a muito tempo, e bom faz anos, e eu não podia, não conseguia admitir, com medo que você não falasse comigo ou apenas ignorasse, que pena pequeno, que pena que quando eu tomei uma iniciativa depois de 6 anos pra falar com você, ja estaria no meu fim, pequeno, quero que saiba que nesses 6 anos eu te amei como nunca amei alguém na minha vida, e você tão distraido nem percebeu, e eu tão envergonhada não consegui me declarar a você em tempo, a uma semana atras, foi minha primeira atitude depois de 6 anos, e pena que foi a primeira e a ultima, digo… eu descobri a pouco tempo que estava com uma doença que já estava num estado que não poderia me recuperar, e sim eu sabia que já estava no meu fim, mas eu queria pelo menos falar com você uma vez na vida, com o homem que eu amei, e amo a seis anos, eu sei de todas suas manias, jeitos, medos, e tudo que você possa imaginar, me aproximei dos seus amigos sem você saber pra poder saber um pouco de você, e olha só pelo que eles me contavam já era o suficiente, já falei algumas vezes com a tua mãe, sem você saber é claro, só queria que soubesse que quando você ler esta carta, eu já não esteja aqui, espero que você não fique triste, pois nao me declarei antes porque sei que você não se importaria, porque você me parecia tão frio rs, mas me enganei talvez? eu sei[…] me perdoa por contar tudo isso agora, mas você precisava saber, enfim, seja feliz, e espero que você encontre alguém que te ame tanto quanto eu amei você e ainda amo[…]”
— Isabela.
Eu não podia acreditar no que acabei de ler, chorando fui para casa, esperando que tudo aquilo fosse um sonho, acordei no dia seguinte com a carta em minhas mãos, e infelizmente era real, talvez perdi a única mulher que me amou de verdade na vida, ate agora, ou talvez pra sempre por conta do meu jeito fechado e frio, e agora? bom, agora é seguir em frente, e fazer o que eu faço todos os dias, fingir que estou bem, que estou feliz, fingir que nada aconteceu. Vinicius Becker (quase-homem)



[…] Os sonhos muitas vezes nos dá, aquilo que a realidade nos nega.
Para quem ama, os defeitos viram suas maiores virtudes. (TFeP)
